Má Vida

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Má Vida

Mensagem por ruirocha em Qui Abr 30 2015, 01:14

Desenganem-se todos aqueles que ao lerem o título deste artigo pensem que o tema desta minha contribuição será uma qualquer forma de vida mais dissoluta que possa estar a ter lugar na nossa urbanização.

Não é disso que se trata.

Este meu pequeno texto pretende versar sobre o estado de cada vez maior degradação das zonas comuns dos prédios onde vivemos, sem que vislumbremos a possibilidade de a breve trecho se iniciarem quaisquer tipo de obras de recuperação dos edifícios. A este propósito, na assembleia geral de 1 de fevereiro de 2014, apresentei uma proposta que visava mandatar a Administração do Condomínio para iniciar um processo de recolha de propostas para a execução de obras de reabilitação de todas as fachadas, elementos de betão à vista, juntas de dilatação e peitoris de janelas dos quatro edifícios. Essa proposta indicava datas limite para essas obras serem realizadas.

Quem lá esteve presente, recordar-se-á com toda a certeza do que se passou. A proposta que apresentei nem sequer votada foi! Não quero que se pense que pretendo teimosamente retomar um projeto de obras que no meu entender já se encontra ultrapassado em virtude dos problemas dos edifícios se terem agravado substancialmente durante o último ano. Quero é lembrar aos menos atentos aquilo que ficou decidido pelos condóminos presentes naquela assembleia. De acordo com a Ata n.º 29, enviada a todos os condóminos por carta datada de 28 de fevereiro de 2014, deliberou-se “mandatar a administração do condomínio a retomar o processo de recolha de propostas para a execução das obras de requalificação dos quatro edifícios, aproveitando todo o trabalho já desenvolvido pela Comissão de Obras, utilizando para o efeito o Caderno de Encargos e Mapa de Quantidades existentes, expurgando os trabalhos já realizados”. Como prazo limite de entrega de propostas ficou designado o dia 31 de março de 2014.  

Creio que é legitimo perguntar-se o que foi feito. Será que esta determinação da assembleia foi cumprida? Vou ajudar o leitor deste texto a tirar as suas próprias conclusões. Da convocatória para a assembleia seguinte que teve lugar no dia 11 de outubro de 2014, constava um enigmático ponto 1. com o seguinte teor: “Análise, discussão e deliberação sobre a elaboração de um projeto e caderno de encargos para obras”. O que um qualquer cidadão de inteligência média com toda a certeza pensaria seria que provavelmente estaríamos perante um lapso, dado que esta questão já tinha sido decidida anteriormente. Na verdade, o que se esperaria seria a apresentação de propostas para a execução das tão propaladas obras de requalificação dos edifícios, isto é, que fosse cumprido o que tinha sido deliberado em 1 de fevereiro e não nos perdêssemos num imenso rol de discussões estéreis.

Mas não! Em mais um verdadeiro ato de ilusionismo e não obstante ter havido quem tenha defendido (na minha opinião, com toda a razão) que o projeto já elaborado e que deu origem à primeira fase de obras deveria ser executado (nem que fosse de forma faseada), o certo é que se decidiu pedir ao projetista, uma reapreciação de todo o trabalho por si realizado (ou seja, do projeto, do mapa de quantidades e do caderno de encargos). Ou seja, decidiu-se mais uma vez complicar a questão (apetecia-me aplicar aqui uma outra expressão mas não o faço por uma questão de rigidez de princípios) pois com toda a certeza há quem defenda que estas obras podem esperar mais uma vintena de anos.

O problema é que não podem. As obras de 2012 deixaram muito por fazer. Aliás, não há que fugir àquilo que é evidente: não só o que se fez foi insuficiente como parte daquilo que foi executado, foi-o de forma incorrecta. Se assim não fosse, não entraria água pelos telhados do edifício C1 e muitos dos portões das garagens não estariam sem tinta.

Existem anomalias gravíssimas nas partes comuns dos nossos edifícios que estão a provocar avultados prejuízos nas habitações de alguns condóminos. Evidentemente existem uns moradores com mais problemas que outros. Alguns, nenhum dano ainda terão sofrido. O certo é que a única forma de debelar as anomalias é as fachadas e os telhados dos edifícios (especialmente o do edifício C1) serem intervencionados (é meu propósito, publicar brevemente um outro artigo sobre as obras realizadas em 2012).  

Por muito que se possa argumentar em sentido diverso, os edifícios estão num acelerado processo de degradação. Não se trata duma questão meramente estética. Mesmo que assim fosse, a avaliação seria claramente negativa. Vejam-se a título de exemplo a queda de elementos da fachada para a via pública (leia-se um outro artigo publicado pelo condómino jlage sobre esta questão).

O problema mais grave reside, no entanto, na degradação interior dos prédios, na sua própria estrutura, que constitui o esqueleto dos edifícios. Oxalá não acordemos tarde demais para o problema.

Como uma vez disse Sir Winston Churchill, é um pecado não fazer nada com o pretexto de que não podemos fazer tudo.

E é precisamente não se fazer nada que é o fator gerador da nossa má vida. Má vida essa que consubstancia em crescentes más condições de habitabilidade que nunca se irão resolver se não atuarmos de forma resoluta e com determinação. Se não podemos fazer tudo, então resolvamos de imediato os problemas mais graves e deixemos os menos graves para uma outra altura.

O que não podemos cair é no imobilismo assente na torpe esperança de que o tempo curará a doença.

Como diz o velho adágio: doença comprida, em morte acaba.

ruirocha

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Re: Má Vida

Mensagem por Admin em Sex Jun 05 2015, 21:03

Mensagem enviada pela nossa membro Maria Almeida e que pode ser consultada em Membros » Admin » Mensagens dos visitantes

Olá caros condóminos!... :-)

Sou nova aqui e em primeiro lugar quero dar os parabéns aos autores deste espaço!...
Pena que poucas pessoas adiram...

Gostaria de responder ao artigo do Rui Rocha "Má vida" em que se constatou que as obras anteriores a esta administração não ficaram bem feitas!...Confirmando-se que assim foi eu pergunto: Porque não se pedem contas aos responsáveis?!

Relativamente à gestão atual Condfase que conta com quase 2 anos de vida, refiro que em pouco ou nada mudou, aliás o que mudou significativamente foi a mensalidade que é um absurdo nos dias que correm, (em que os governantes passam o tempo a extorquir-nos dinheiro, quer dos vencimentos quer em tudo que possam), tendo a mensalidade (c/ parte para obras etc) passado para mais de 100€ mensais!...
Admira-me como ninguém se queixa desta questão!...

Respondendo também à questão do Rui Rocha " Será adequado que a Administração continue a ser exercida por uma Empresa?"
Eu respondo com toda a convicção que não!...
Claro que estas empresas não nos servem de uma forma dedicada ou preocupada com os problemas particulares de cada condómino/habitação, mas é uma empresa que visa lucros e esse é o objetivo primeiro desta e de todas as outras empresas de administração de Condomínio!...

Se o Capital Social da atual Empresa foi de 5.000€, facilmente entre todos se reuniria esta verba e ficaria um Grupo de Condóminos diretamente a gerir o que nos pertence!...

Respondo à questão se seria preferível voltar ao anterior modelo de gestão por proprietários da Cooperativa, eu respondo que com certeza que sim!...
Esta questão deveria ser colocada a todos os condóminos antes da próxima Assembleia Geral
Aqui deixo o meu parecer
Cumprimentos cordiais para todos

Maria Almeida

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